Como eu devo escolher meu psicólogo?

Em meio a tantos profissionais, tantas abordagens e teorias diferentes, é comum ficarmos em dúvida sobre qual psicólogo escolher. Se você já conhecia essas possibilidades, sinta-se em casa. E se você é novo por aqui, seja bem-vindo ao mundo da psicoterapia, onde as pessoas aprendem a se conhecer melhor e se sentem transformadas.

Então, vamos lá... primeiro é importante que você conheça as diferentes abordagens que existem, para ter uma noção do que esperar do profissional e do tratamento em si. Para isso, separamos de forma bem sucinta alguns tópicos relevantes sobre as abordagens dos profissionais do TherAppy, que você pode encontrar logo abaixo.

Depois de conhecer um pouco sobre as abordagens, você vai sentir que o critério mais importante nessa escolha é a empatia com o psicólogo. Além do currículo profissional ou recomendação de outras pessoas (que são aspectos muito relevantes e que você deve considerar), sentir-se confortável com o profissional e ter uma pré-transferência com ele, antes mesmo da primeira sessão, é muito importante no processo terapêutico e já pode ser o início de um tratamento.  

Portanto, depois de conhecer as abordagens, conheça também os psicólogos, veja o seu perfil, o público que ele atende, os assuntos que ele aborda, como ele fala, se movimenta, etc., porque tudo isso irá te causar um nível de conforto para iniciar a terapia.

Agora é com você! Te desejamos uma boa escolha e sucesso nessa linda jornada que começaremos juntos :)

Análise do Comportamento

A abordagem Análise do Comportamento visa aumentar comportamentos, sentimentos e emoções adequadas, dessa forma diminui comportamentos inadequados, sentimentos ruins e emoções destrutivas. 

 

Uma das principais técnicas utilizadas nessa abordagem é a análise funcional que se trata de uma investigação da história de vida do indivíduo, avaliando situações que podem ou não estarem ligadas aos seus comportamentos. A partir dessa análise, é possível por exemplo: Melhorar o relacionamento interpessoal; eliminar medos, ansiedade e preocupações; descobrir sua identidade; melhorar a comunicação com você mesmo e com o mundo; tratar fobias, distúrbios e transtornos; ter uma melhor qualidade de vida. 

 

Os psicoterapeutas dessa abordagem acreditam que emoções e pensamentos também são formas de comportamento, porém de origem privada, ou seja, só podem ser revelados a partir da fala, do relato, de quem o sente ou pensa. Portanto, durante o processo psicoterapêutico, as emoções e os pensamentos também são analisados e se tornam passíveis de intervenção.

 

“Os principais problemas enfrentados hoje pelo do mundo só poderão ser resolvidos se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano”

Análise Transacional

A Análise Transacional é um efetivo método racional de terapia que analisa, compreende e corrige a conduta humana através da compreensão do "porquê" e "como" dos nossos comportamentos. Neste sentido, transações são todas as trocas internas e externas que fazemos com o meio, como nossas falas, gestos, sensações, pensamentos, idealizações, expectativas, sentimentos, conteúdo oculto no diálogo, dentre outros. 

 

Esta abordagem é pautada em vários instrumentos de intervenção terapêutica, tais como testes psicológicos e teorias que são passadas ao paciente de forma simples para que ele faça uso dessa informação no cotidiano e aprimore sua habilidade de autoanálise. 

 

O processo da Análise Transacional trabalha em níveis cognitivos, emocionais, motivacionais, comportamentais, energéticos e existenciais, assim a patologia não é vista como adoecimento e por isso considera-se que o paciente não "é" algo, mas "está" de alguma forma. Portanto, o objetivo é identificar as sombras do indivíduo para fortalecer suas potências, de forma que ele possa se firmar em ser uma pessoa autêntica, com autonomia, consciente, espontânea e que tenha boas relações com seu íntimo.

Analítica

Nesta abordagem, foca-se o atendimento no indivíduo e sua totalidade, enfatizando a individuação, elevando a capacidade da pessoa desenvolver o pensamento reflexivo e através dele o entendimento de seus pontos positivos e negativos, criando uma ponte de equilíbrio entre o consciente e inconsciente.

 

A análise Analítica aposta na técnica da imaginação ativa, na qual o paciente aprende a liberar suas fantasias e conhecer os outros personagens que habitam em sua mente. Para isso, é comum a utilização de artes como desenhos, pinturas, interpretação dos sonhos, entre outras, e o cliente deve estar disposto a utilizar estas técnicas e ter capacidade de simbolização. Neste sentido, ela pode ser confundida com algo mais místico, embora não seja.

Esta é uma abordagem mais aprofundada, portanto não imediata, embora possa apresentar rápidos resultados.

Centrada na Pessoa

A abordagem Centrada na Pessoa situa-se na área humanista da psicologia, foi desenvolvida pelo teórico Carl Rogers (1902-1987), um psicólogo norte-americano que apoiou seu trabalho em sólidas pesquisas e observações no contexto clínico. Ele trouxe um novo olhar para a psicologia no sentido de acreditar que a pessoa tem um potencial para a mudança, para o desenvolvimento e o crescimento pessoal. 


O papel do psicólogo nesta abordagem é atuar como um facilitador para levar o indivíduo a ser ele mesmo, com o objetivo de que este caminhar propicie um estado de aceitação de si mesmo e abertura para a mudança.


Na relação terapêutica, este processo vai acontecer por um “clima psicológico” composto por 3 atitudes facilitadoras: (1) a congruência que é ser genuíno, verdadeiro na relação, dizer ao outro o que sente no presente momento, quais pensamentos, comportamentos e atitudes que esta sendo vivenciado; (2) a consideração positiva incondicional, aqui não cabe nenhum tipo de julgamento e sim o respeito fundamental ao outro; (3) e por fim a empatia, que consiste em se aproximar da visão da outra pessoa e compreender na totalidade de como ela se sente.

Fenomenologia-Existencial

A psicoterapia, através da abordagem fenomenológico-existencial, propõe a compreensão do paciente a partir de uma relação muito especial e singular, estabelecida entre ele e o psicólogo. É uma abordagem que permite o diálogo sobre diversas questões e problemas envolvendo a existência; tais como depressão, ansiedade, conflitos nas relações pessoais, familiares e no contexto de trabalho, isto porque busca o entendimento do homem em todos os contextos em que está inserido. 

 

Cada encontro é único, uma vez que cada pessoa em busca de atendimento tem uma maneira única de se relacionar com o outro, tem uma forma diferente de ser. Nesse viés, o trabalho do psicólogo é uma construção artesanal. Cada ponto é abordado baseando-se nas vivências relatadas pelo paciente, na forma como ele lida com os fatos e diante dos significados que atribui às diversas situações. Isto possibilita que a pessoa atendida entre em contato consigo mesma, escute seus sentimentos e angústias. Possibilitando, assim, atribuição de novos significados e sentidos para o que a pessoa está vivenciando, bem como a descoberta do seu próprio potencial. 

 

Diante da abertura do terapeuta para escutar o paciente, de uma postura de aceitação, respeito e de sua intervenção, são apresentadas novas possibilidades de lidar com as questões trazidas e melhorar sua qualidade de vida.

Gestalt Terapia

Nesta abordagem, trabalha-se o indivíduo como um todo, tendo como máxima “o todo não é igual a soma de suas partes”, para que ele perceba e seja capaz de compreender tudo o que está dentro e fora dele. Nesse sentido, as emoções, percepções e comportamentos do indivíduo se juntam para formar sua personalidade, única e com características diferentes de suas partes separadas.

Assim, importam as relações interpessoais, o ambiente em que está inserido, detalhes de sua estrutura mental, corporal e emocional. Com a terapia Gestalt é possível aprender sobre o seu próprio funcionamento, um conhecimento que vem do pensamento e da reflexão.

 

Ginger e Ginger (1995) afirmam que a Gestalt-terapia visa à manutenção e ao desenvolvimento do bem-estar harmonioso e não à cura ou reparação de qualquer distúrbio, ou seja, a busca nem sempre é pela solução do problema, mas pelo desenvolvimento da consciência.

Humanista

Essa vertente se baseia na aceitação, no conceito de que só conseguimos mudar quando assumimos a nós mesmos que existe um problema que precisa ser tratado. Uma frase do humanista Carl Rogers que define bem este método é: “O paradoxo curioso é que quando eu me aceito como eu sou, então eu mudo“.

Nessa abordagem, o papel do terapeuta não é tratar neuroses ou identificar as causas de um problema, e sim proporcionar um ambiente acolhedor para que o indivíduo consiga crescer e alcançar o melhor de si.

Um bom exemplo dessa prática é com pessoas que têm problemas com o uso de drogas ou álcool, que na maioria dos casos até brincam com o seu problema mas não enxergam que estão fora de controle. Então, quando se abrem a novas experiências passam a ter mais possibilidades de viverem plenamente, percebendo sua liberdade de escolha e se mostrando criativos, sempre encontrando novas maneiras de viverem bem e melhor.

Psicanálise

O principal ícone desta teoria é Freud, conhecido como "o pai da psicanálise". O foco desta abordagem é o inconsciente, onde descobre-se que há algo que não dominamos, que desconhecemos, mas que de alguma forma controla as nossas ações. Portanto, o papel do terapeuta é auxiliar o paciente a resgatar e reintegrar conteúdos do seu inconsciente para que assim ele passe a compreender e lidar com os conflitos que vivencia no presente.

 

Isso é feito por meio de uma técnica chamada “associação livre”, que conduz o indivíduo a falar/verbalizar livremente sobre o que sentir vontade e assim o terapeuta, ouvindo nas entrelinhas, tem acesso ao inconsciente do indivíduo e a conteúdos guardados que geram sofrimento, medo, angústias, etc., fazendo emergir fatos reveladores, que não eram de conhecimento consciente da própria pessoa.

Desta forma, a psicanálise busca tratar o sintoma, e não apenas o comportamento, e entende que tornar o inconsciente, consciente, é o primeiro passo para possibilitar mudanças na vida do indivíduo.

Sistêmica / Sistêmica Familiar

A abordagem Sistêmica Familiar se refere aos diferentes contextos sociais em que o sujeito encontra-se inserido, isto é, no familiar, social, escolar, comunitário, etc. Nessa perspectiva, estes contextos ou relacionamentos se envolvem de forma mútua e formam um sistema unificado.


O processo terapêutico sistêmico é indicado para todas as faixas etárias, e seu objetivo é escutar e acolher o sofrimento psíquico do indivíduo ou alguma forma de dificuldade emocional dos relacionamentos que o cercam. Nesse sentido, esta abordagem pode ser realizada de modo individual, com casais, ou familiar. 


A psicoterapia sistêmica tem o propósito de intervir no padrão de relacionamento deste indivíduo, promovendo reflexão sobre suas questões individuais, seus processos de convivência familiar ou com o seu cônjuge. As técnicas utilizadas na abordagem sistêmica são pautadas no aqui e agora, ou seja, busca estabelecer uma aliança terapêutica e contribuir para a melhoria na comunicação deste sujeito para com seus relacionamentos, proporcionando assim mudanças benéficas.

Sócio-Histórica

A teoria Sócio-Histórica é uma vertente em psicologia desenvolvida por Vygotsky. Nessa abordagem, entendemos que os processos psicológicos superiores têm sua origem nas relações sociais. Partindo dessa ideia, o indivíduo é produtor em seu meio, mas também é “produzido” por ele. 


Assim, a psicoterapia é uma relação, onde o psicólogo é um facilitador que visa auxiliar o sujeito na compreensão do seus processos psicológicos, os quais só podem ser entendidos a partir das dimensões sociais, culturais e individuais. 


“O psicólogo, intervém na busca  da construção  de sentidos, isto é, nos registros que  o sujeito  faz do seu  contexto, registros esses  que podem ser as  fontes  de sua fragilidade.” (LIMA E CARVALHO, 2013, p. 159)


Nesse processo destacamos a importância da linguagem, pois entendemos a mesma como um processo necessário na constituição de propriedades exclusivamente humanas.

Terapia Cognitivo Comportamental (TCC)

Essa abordagem trabalha a partir da hipótese de que nossos comportamentos, reações fisiológicas e emoções não são influenciadas pela situação em si, mas pela maneira como a enxergamos. O trabalho do terapeuta nesse caso é ajudar o paciente a identificar esses tipos de pensamentos disfuncionais e substituí-los por outros mais realistas, utilizando técnicas e estratégias comportamentais.

 

Na TCC é comum que o terapeuta oriente "lições de casa", que são atividades direcionadas a observar determinados pontos que o paciente precisa trabalhar e que serão discutidos na próxima sessão. Sem a colaboração do paciente o andamento da terapia fica mais lento. 

 

O objetivo dessa análise é entender os pensamentos e crenças pessoais que estão gerando sofrimento ao paciente para que ele, através do aprendizado na terapia, consiga modificar por si só seus padrões de pensamentos para que se mantenha bem.

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