A travessia


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Teixeira de Andrade


Constantemente estamos pensando ou agindo de forma autodestrutiva. Inconscientemente, de forma automática, estamos nos sabotando, pois assim muitos de nós nos acostumamos à fazer na construção do nosso Eu. É a famosa zona de (des)conforto que, apesar de não nos fazer bem, nos dá a confortável impressão de que estamos mantendo a ordem em meio ao caos que se formou na nossa mente.

Somos levados a agir dessa forma a partir de relacionamentos traumáticos, desejos reprimidos, sentimentos ruins, experiências frustradas, memórias afetivas negativas, entre outras situações difíceis de lidar que acabam se repetindo durante a nossa vida sem sabermos, conscientemente, o porque, e que, quando passamos, tentamos esquecer, sem elaborar, e "colocar tudo para debaixo do tapete", criando um círculo vicioso perigoso.

Dessa forma, vamos acumulando experiências, sentimentos e memórias que, assim como um balde que vai enchendo aos poucos, uma hora pode nos fazer transbordar. Se não temos o hábito de "esvaziar o balde", ou seja, cuidar daquilo que a gente está guardando, isto pode vir à tona de outras formas, podendo culminar em transtornos como a depressão e/ou a ansiedade.

Como o texto supracitado refere, há um momento em que é necessário ousar e realizar uma travessia, porque os caminhos que tomamos até aqui, não nos fizeram sair do lugar. Nesse sentido, identificar, reconhecer, aceitar, expressar e ressignificar memórias, sentimentos e pensamentos difíceis de lidar faz parte de uma caminhada deveras importante e necessária para a nossa mudança de percurso, rumo ao nosso bem-estar.

Se ainda não há energia suficiente para iniciar essa caminhada, não se preocupe, há pessoas e profissionais, que querem e podem te ajudar nessa travessia.


Com carinho,


Pedro Augusto de Oliveira Costa

Psicólogo

CRP-17/3548

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