As mídias sociais: lidando com a fuga da realidade.



A cada dia a tecnologia se torna mais avançada, nos traz benefícios, facilidades de compra, de obtenção de serviços, de termos contato com as pessoas que amamos, contatos profissionais. Porém, também nos transporta para locais possivelmente obscuros: as redes sociais. Nesses lugares nos deparamos com um ambiente de suposta liberdade. Onde tudo seria permitido, no entanto, as regras são constantemente dobradas, para que se criem diretrizes sobre como devemos nos comportar e como devemos aparecer diante da sociedade. Estes dois fatores circundam outros dois elementos fundamentais da nossa vivência, O DESEJO e O OLHAR. Sejam estes o nosso próprio ou do outro.

Mas como lidar com algo que se torna uma extensão de nosso desejo? Um lugar onde vamos quando queremos fugir? Um lugar onde tudo é prazer? Onde tudo é felicidade? Um lugar em que buscamos aceitação e um lugar onde cada "influencer" tenta tornar cada segundo de sua vida interessante, para que o outro veja.

Não é fácil estar constantemente olhando a foto do corpo que gostaríamos de ter, das condições que gostaríamos de desfrutar e das supostas facilidades trazidas pelos ditos influenciadores. Entrar em contato com os simulacros da vida virtual que se retrata em pequenos trechos de segundos de vídeos, imagens, corpos e vidas altamente tratadas, definitivamente não é tarefa para os incautos. Desta forma passamos a lidar com nosso desejo de forma mais animal, pois o movimento automático e inconsciente é contrastar as realidades virtuais com as nossas duras lidas diárias. A rede social pode assim, tornar-se local de fuga, local de olhar e ser olhado. Sendo meros espectadores ou protagonistas, porém sempre em busca de uma pequena e rápida satisfação.

Mas o que estamos realmente fazendo para deixarmos de ser espectadores?

O que estamos desenvolvendo no nosso dia a dia, para lidar com as nossas frustrações?

Pode parecer que o objetivo deste argumento é de que devemos parar de acessar as redes sociais. De forma alguma. Elas são fonte de instruções, oportunidades de empregos, propagandas de bens e serviços essenciais, etc. Nelas, se aglutinaram tudo aquilo que era oferecido em jornais, revistas, anúncios e até mesmo na TV. Devemos entender que aquele é um meio de interação, mas que não podemos perder de vista nossas potencialidades, o que sentimos e aquilo que de fato desejamos.

Ficar a todo momento mergulhado nesse universo no qual tudo é permitido, mas onde criam-se diversos abismos, que nos dá uma sensação que devemos fazer de tudo para sermos aceitos, até mesmo negar nossas individualidades, não é algo saudável e traz mais malefícios do que benefícios.

Acredito que sempre é importante utilizar de forma consciente, mas não permitir que essa realidade virtual lhe invada e destrua tudo o que está construindo internamente.

Respeite o seu processo e acredite que cada indivíduo tem a suas particularidades e é ÚNICO. Essa é a parte legal da vida, compreender que somos únicos.

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@psilanacalixto

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