Doer, pra curar!


Aqui não irei falar sobre o campo da medicina, sobre o que é a doença e o que é a cura em termos patológicos. Sabemos que um câncer é um câncer em qualquer lugar do mundo, mas que cada cultura e cada sujeito irá lidar com a doença conforme sua subjetividade.

A dor emocional vem de forma silenciosa, quase nunca notamos sua raiz e só nos damos conta dela quando o sintoma causa certo mal estar. Geralmente as pessoas buscam ajuda psicológica quando estão em sofrimento, independentemente do grau. E só a partir disso que é possível entrar em contato com a angústia, com a dor e com tudo aquilo que faz o silêncio da psique clamar por um pedido de ajuda.

O ponto aqui é que não é fácil e isento de desconforto se conectar com as questões que nos trazem a ser quem somos. Não é agradável passar pelo processo de análise. O autoconhecimento não acontece da noite para o dia, e a cura para este sofrimento é o percurso por onde um conjunto de efeitos são depositados, sendo colocados ao longo da trajetória da análise. Muitos desses efeitos são sutis, e geralmente a longo prazo; enquanto outros são bastante impactantes de forma exígua, causando ainda mais angústia para uma tentativa de compreensão.

Não existe um processo curativo que não seja doloroso. A cura na análise se distorce do conceito de cura em medicina justamente porque não encerra o sofrimento de forma instantânea, e sim faz deste sofrimento uma semente para que o paciente sinta ou se permita sentir seu crescimento.

Ao fim desta trajetória, a vida continua. Ainda existirão sofrimentos, ainda existirão desamparos, ainda existirão angústias. Mas o tratamento em psicanálise oferece distintas possibilidades para que o sujeito dê um destino para estes sintomas, criando subsídios para um alívio em meio a tais.


Maria Julia

CRP 06/160589

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