Mulheres bem sucedidas, mas solitárias?

(Texto com um recorte para pessoas que se enquadram na norma heteronormativa)

Lá para o mês de maio eu assisti ao filme "Um senhor estagiário" e hoje tive a oportunidade de rever um cena que me marcou bastante. (Contém spoiler). Jules é uma mulher bem sucedida, dona da sua própria empresa, esposa e mãe. Em um determinado momento do filme, Jules e Ben (estagiário e amigo) conversam e ela desabafa que descobriu que seu marido (Matt) a está traindo.

O trecho dessa conversa:

Mas é muito comum não é? A esposa bem sucedida. O marido sente a masculidade ameaçada e reage. Com uma namorada, ele se sente mais homem.

Quantas vezes você já escutou histórias parecidas com essa? Ou quantas vezes ouviu sobre mulheres em um cargo "de poder" falando sobre a dificuldade de estar em um relacionamento. Sobre homens que se sentem ameaçados pela posição de sua parceira.

Isso me levou a questionamentos sobre o ideal de mulher e de relações que tentamos alcançar.

Quando crianças, ouvimos tantas histórias sobre princesas sendo resgatadas e salvas por princípes. Quando crescemos, somos cobradas a estar em um relacionamento. A felicidade sempre relacionada a estar em uma relação romântica com o outro. Nesse filme, Jules iria abrir mão de continuar chefiando sua própria empresa acreditando que assim iria salvar seu casamento. O medo de ficar sozinha permeando essa relação e suas próprias escolhas.


E também se nos divorciarmos, ele se casará outra vez. Talvez não com essa mulher, mas com alguém. E nós dois sabemos que não sou fácil. Então, eu posso ficar solteira para sempre, o que significa que serei enterrada sozinha.

Todas essas narrativas tem um ponto em comum: o papel construído da mulher em uma sociedade machista e patriarcal, a masculinidade frágil, mas não quero falar sobre isso. Mas as consequências que tudo isso causa na mulher.

Esse filme me levou a repensar as minhas próprias relações e escolhas, como também nas mulheres que atendo ou já atendi.

O quanto você já se diminuiu para caber em um relacionamento?

O quanto você já podou o próprio crescimento para não assustar o parceiro que estava se relacionando?

Quantas vezes já se culpou por isso?

Não estou aqui para dar nenhuma resposta, mas para que possa refletir sobre seus próprios relacionamentos e escolhas, sobre os papéis que ocupa e como isso também reflete na sua saúde mental.




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