O que é Ansiedade?

Todos nós sentimos ansiedade e alguma tensão quando nos deparamos com situações estressantes ou ameaçadoras no dia a dia (como atravessar uma rua com um carro ultrapassando o sinal vermelho ou então uma necessidade de bater metas no trabalho). A ansiedade neste sentido são reações normais que desenvolvemos frente a situação estressora.

Então não é possível eliminar a ansiedade, pois ela faz parte do aparato humano. Podemos entendê-la e controlá-la. Eles refletem uma inadequação quando não há perigo real para enfrentar ou fugir. Os sintomas por vezes são vistos como “acontecer de uma hora para outra”. Agora, mesmo que eles apareçam quando se percebe alguma ameaça real, eles podem ser desproporcionais ou continuar depois que a situação aconteceu. Imagine que pessoas que apresentam um quadro de ansiedade percebem o mundo altamente ameaçador e outras pessoas interpretam as situações como favoráveis. Isto dificulta a convivência e até mesmo sua interação social. Diferente do que se imagina, a ansiedade tem várias classificações e sintomas. E para cada diagnóstico existe um tratamento específico. É importante destacar os quatro sintomas gerais da ansiedade para desmistificar qualquer interpretação que se tenha sobre a ansiedade e ajudar o leitor no decorrer do texto:

1-Sintomas do corpo: uma reação natural do corpo frente ao perigo. Ele se prepara para enfrentar a situação perigosa ou então se esquivar para pensar em qual solução daremos para o problema. O corpo muda em questão de minutos, os músculos enrijecem, as pupilas diminuem e a circulação sanguínea acelera (entre inúmeras outras mudanças corporais imediatas) 2-Sintomas do pensamento: os pensamentos surgem através de interpretações equivocadas sobre determinada situação. 3-Sintomas comportamentais: há uma paralisia ou esquiva diante da situação estressora. 4-Sintomas de sensação: sensações emocionais são comuns em detrimento de todos os sintomas anteriores, o medo é somente um deles. Estes são apenas sintomas gerais para se compreender uma pessoa que desenvolve um quadro de ansiedade prejudicial para sua saúde física e mental. Mas existem aqueles que se destacam por atenuação de um dos sintomas citados acima. Dentre os inúmeros casos de Transtornos de Ansiedade, destaco o Transtorno do Pânico. Era seu primeiro dia no trabalho após trinta anos com a mesma rotina do emprego anterior. Ele sempre chegava às oito da manhã, carregava seu caminhão e viajava para destinos parecidos. Desta vez, teve de lidar com uma situação que nunca havia passado: trafegar e estacionar seu caminhão nas movimentadas ruas de São Paulo. O desconforto o tomou logo pela manhã, e em sua primeira entrega a sensação de tontura e taquicardia aparece e ele sente um medo irracional de que aconteça algo que o prejudique embora não esteja acontecendo nada que o ameace em seu local de trabalho. Você já presenciou alguma cena parecida? Este pequeno trecho acima se refere a um Ataque de Pânico, que se transfigura em alguns sintomas do Transtorno do Pânico. Em resumo ele consiste de instantes de intensa ansiedade e pode surgir a qualquer momento com ou sem ligação na realidade. Estes ataques podem durar minutos ou até mesmo horas dependendo da gravidade do caso. Além dos sentimentos estarem voltados para apreensão, medo e terror, a pessoa mostra sinais de sintomas físicos como respiração ofegante, palpitações cardíacas, dores no peito, sensações de asfixia ou sufocamento, tontura, sentimentos de irrealidade, formigamento, calafrios, calor demasiado, suor acima do normal, dores no peito, fraqueza e tremor. Ao presenciar um ataque de pânico podemos associá-lo com um ataque cardíaco. E esta conclusão não é por menos, pois pelo ataque súbito e sem aviso os sintomas são assustadores e mostram toda grande alteração corporal proveniente dos sintomas físicos e psicológicos. Um exemplo de depoimento de uma pessoa que sofre do transtorno, ilustra qual é a sensação de morte atrelada ao momento: “ A maioria das pessoas enfrenta a morte uma vez na vida; eu vivo a situação semanalmente.” É importante ressaltar que as avaliações médicas são importantes para diferenciar um real perigo de vida de um Transtorno do Pânico. Há alguns anos atrás quando não havia estudos que associassem as crises de pânico aos sintomas psicológicos, os diagnósticos médicos eram confundidos com problemas cardíacos ou respiratórios o que dificultava o seu tratamento. Podemos ajudar uma pessoa com Transtorno do Pânico somente após o diagnóstico realizado por um profissional qualificado. A partir deste diagnóstico seremos capazes de qualificar seu tratamento como medicamentoso, psicoterapêutico ou ambos. Para isto, é de suma importância verificar minuciosamente a diferença entre sintomas de cardiopatia com sintomas de ataque do pânico, esta é a importância da avaliação com profissionais competentes. Por uma preocupação em perder o próprio controle durante o ataque e até mesmo vergonha, estas pessoas evitam lugares públicos e preferem ficar em casa onde se sentem seguras. Como precaução há um pedido de acompanhamento de uma pessoa de confiança a estes lugares para que a mesma tome providências caso ocorra um ataque. Esta extrema hesitação pode aumentar para um medo de estar com outras pessoas ou lugares públicos, e a este quadro chamamos de Agorafobia. Na agorafobia o medo se estende para ficar em lugares agitados e cheios de gente como um parque. Também as pessoas que passam por este quadro têm medo de ficar em lugares muito fechados dos quais seja difícil fugir, tais como ônibus, elevadores ou metrôs, ou de ficarem sozinhas em espaços abertos a exemplo de um campo de futebol. Estes lugares são assustadores para estas pessoas no caso de ocorrer uma crise de pânico ou alguma outra emergência, seria muito difícil para elas fugirem ou conseguirem ajuda. Estas reações podem ser explicadas com a premissa de que estas pessoas se recordam vividamente dos lugares que sofreram o ataque de pânico. Elas temem intensamente estes lugares e mostram uma evasiva por generalização de lugares semelhantes. Por diminuir a ansiedade, elas podem constatar erroneamente que estão com os problemas resolvidos, porém, apenas se esquivam das situações que lhe dão os ataques, fazendo com que tenham uma falsa sensação de segurança. É preciso estar atento a estes comportamentos e iniciar um tratamento para lidar com o problema, sendo que a eficácia pode ser estabelecida com uma intervenção precoce. A seguir um quadro fictício mas que aponta várias realidades daqueles que sofrem com o transtorno do pânico e sinais de agorafobia: Ela continuou com as crises de pânico com frequência, ás vezes na mesma rua em que teve a primeira, mas cada vez mais em lugares em que nunca tinha tido uma crise antes. Ela parecia especialmente propensa a ter uma crise quando havia muitas pessoas a seu redor, e não sabia o que iria fazer para sair da multidão caso entrasse em pânico. O único lugar em que nunca teve estas crises foi em seu apartamento, e por isso começou a ficar cada vez mais tempo em casa, recusando-se a ir a qualquer lugar onde já tivesse tido uma crise de pânico. Nos meses que se seguiram ela se ausentou tantas vezes do trabalho que acabou sendo demitida. Mesmo assim, não conseguia sair do apartamento. Pedia que mantimentos lhe fossem entregues em casa para não ter que sair para comprar. Só via os amigos quando eles a visitavam. Mas suas economias começaram a se esgotar já que tinha perdido o emprego, e então começou a procurar um que pudesse ficar em casa. Claramente, estes sintomas podem alterar significativamente o convívio social da pessoa em questão e sua rotina fica totalmente prejudicada e para aqueles que não têm diagnóstico devidamente esclarecido ou conhecimento sobre seu transtorno, optam por soluções que podem ser prejudiciais a elas como o uso de álcool e outras drogas. Por conta de tudo o que foi descrito as pessoas que estão sofrendo deste transtorno têm o receio de ficarem constrangidas quando os outros virem que elas estão com uma crise, ainda que geralmente os outros não consigam perceber quando há este episódio de fato. Por isto, é importante sabermos que o desamparo proveniente do transtorno deve ser tratado com acolhimento por outras pessoas, e não devemos associar estes sintomas como “frescura”. Se você conhece alguém que possa estar passando por situações parecidas, indique um tratamento capaz de surtir efeitos benéficos para elas. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que aproximadamente 4% da população mundial sofrem deste transtorno, e geralmente, não temos trabalhos de prevenção eficazes. Todavia existem estudos em nível global tentando verificar as incidências deste tipo de transtorno e propostas de tratamento para tal. Entre as várias suposições genéticas, biológicas e psicológicas destaco esta última para explicar os momentos da crise e seu tratamento. Imagine que na crise você apresenta um ataque pela primeira vez, e então presta total atenção para as suas sensações corporais e as mesmas desencadeiam pensamentos mal interpretados da situação. Certamente elas terão um cunho negativo e bastante catastrófico como o medo iminente da morte por exemplo. A partir de então quando tenho uma sensação exacerbada o medo também aumenta, e quanto mais aumenta o medo mais as sensações tendem a se intensificar. Nosso cérebro e sua estrutura tem a incrível capacidade de nos alertar nos momentos de perigo. Todavia, quando este medo é irreal como no caso do pânico o alerta se dá em momentos que a pessoa interpreta serem parecidos com os mesmos que ela teve anteriormente e isto faz com que o nosso sistema nervoso autônomo fique sempre em prontidão, o que aumenta a probabilidade de um novo ataque. Nas literaturas psicológicas o tratamento varia de acordo com a teoria proposta, ficando a cargo da pessoa buscar uma terapia que melhor se adapte a sua situação. Como já dito, ela poderá precisar de um acompanhamento médico devido aos inúmeros sintomas associados. Neste momento, veremos como a teoria-cognitivo comportalmental pode auxiliar uma pessoa com o transtorno. Como este modelo incide na relação pensamento que influencia diretamente emoções, sentimentos e comportamentos, há compatibilidade com as formas apropriadas de farmacologia existentes para este tipo de tratamento já que mostra técnicas associadas aos estímulos corporais como os treinamentos de relaxamento e respiração frente aos estímulos vistos como ameaçadores. Todo psicólogo que estiver com esta pessoa deve estabelecer um vínculo de credibilidade e mútua cooperação independentemente de comprometimento ou gravidade dos sintomas.A terapia segue uma estrutura coerente: cada sessão mostra um compromisso pré-estabelecido para alcançar metas como por exemplo antecipar o pensamento de momentos de intensa ansiedade.

No final da sessão são abordadas as conquistas desta etapa e pode-se estabelecer novas metas.Após avaliação do que foi dito e feito nas sessões, a pessoa pode realizar exercícios pré-estabelecidos para a diminuição dos sintomas(as técnicas são provenientes dos terapeutas especializados para lidar com estas situações)A estratégia do terapeuta se volta para os pensamentos, sentimentos e comportamentos mal interpretados nestes momentos de aflição. Desta forma, a tentativa é de adequar estes elementos em benefício da pessoa com o transtorno.A família, parentes e pessoas significativas podem ser convidadas a participar do processo quando devidamente indicado.No final do processo de terapia os resultados são revistos e os métodos aplicados podem ser readaptados para um melhor progresso. Sempre que um profissional de psicologia recebe esta pessoa ele fará uma avaliação criteriosa para conduzir um tratamento adequado.


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