Reflexões: a finitude que nos cerca.



Diante de tempos tão conturbados em que estamos vivendo, ao olhar ao redor ficamos com um misto de sentimentos e os mais marcantes são a tristeza, a finitude, impotência, frustração e medo.


Quantas vezes tentamos revisitar aquela lembrança que traz alívio? Ou aquela risada de alguém que não está conosco? Talvez a presença? Mas o que podemos carregar, talvez em uma das mãos é a lembrança. Apesar de deixar de existir neste mundo, a pessoa reside dentro de nós e é justamente a lembrança que a faz viver para sempre, de outra forma.


É inerente do ser humano se sentir desamparado, ao falar, viver e escrever sobre a morte e são muitas as representações que acessamos quando nos aproximamos deste tema.


Em alguns momentos ela pode se apresentar de forma silenciosa e abrupta, em outros ensaiada, com diversas cenas, parágrafos ou estrofes. Mas é tão dolorosa para quem está partindo e mais ainda para quem permanece. São nesses momentos que as pessoas vivenciam sua maior humanidade e buscam pela possibilidade de compreensão, adaptação, negociação e relação.


Quando falamos e pensamos sobre a morte, ao mesmo tempo falamos e pensamos de verdade em nossa própria vida, tornando um ciclo, pois o não enfrentamento deste assunto faz com que não tenhamos uma representação real e pessoal da morte. Então desta forma acabamos sempre na vida, nas mortes em vida, aprisionados dentro de nós mesmos, sempre com medo de viver ou com o que pode vir com a falta de certeza.


No trabalho de Freud, Reflexões para os tempos de guerra e morte (1915/1969) ele afirma:

“no fundo ninguém crê na sua própria morte, ou dizendo a mesma coisa de outra maneira que no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade” (1969, p.327), mas torna-se mais fácil admitir a morte de outra pessoa, ainda mais quando é um estranho ou até mesmo um inimigo. Mas como lidar com a finitude de quem amamos? Como lidar com tudo isso? Como viver um luto?


Durante o luto se faz necessário chorar, se permitir sofrer, falar sobre todas as emoções , sentimentos e dúvidas. Passe por todas as etapas deste processo, o diálogo sempre auxilia na compreensão de nossos sentimentos acerca da morte e nos auxilia a encarar com mais força a situação.


Lembre-se que você não precisa passar por tudo isso sozinho(a).

"Caso se proteja os desfiladeiros das tempestades de vento nunca se verá a verdadeira beleza das suas protuberâncias."

Elisabeth Kubler-Ross

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@psilanacalixto

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Referências:

KUBLER- Ross, E. “Sobre a morte e o morrer”: 8ª Ed., Martins Fontes. São Paulo, 1998.

BINDER, M. Waddington. “Preciso te contar uma coisa: eu vou morrer.”: TRIEB/ Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 16/07/2018.

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