Relação simbiótica: quando amar aprisiona e causa dor.



Em uma relação amorosa, algumas pessoas deixam de lado seus próprios gostos e assumem as preferências e os projetos da cara-metade amada. Esquecem de celebrar a individualidade e passam a ser sombra do outro. Aí, ao invés de gerar mais amor e admiração, acabam criando um relacionamento baseado no desprezo e até na raiva que pode nascer quando apenas um toma as rédeas da relação.

Esse tipo de relacionamento amoroso, em que existe extrema dependência afetiva entre ambos os parceiros, é chamado de relacionamento simbiótico, e tem como referencial teórico os relacionamentos de certas espécies na natureza, em que os parceiros dependem um do outro para sua sobrevivência. E exatamente nisso reside o perigo para o casal simbiótico: na relação simbiótica a perda do parceiro significa a morte do outro, mesmo que seja a morte psicológica.

Por trás do comportamento simbiótico, existe um medo muito grande da “entrega”. Entregar-se ao outro, propõe colocar seus sentimentos, seu coração em risco, assumir responsabilidades de uma relação que pode em algum momento não dar certo. Lidar com sentimentos de frustração, rejeição, perda, pode ser apavorante para alguém que por não se conhecer, acaba não compreendendo seus próprios recursos de enfrentamento e resistência. As pessoas não cabem em todos os espaços das nossas vidas e nós não temos que caber em todos os espaços ou em todos os momentos da vida do outro. Uma relação precisa e deve existir, para nos fazer crescer, para exercermos nossa individualidade dentro de um relacionamento e para que possamos agregar/receber dentro da convivência.

Um relacionamento amoroso equilibrado exige que ambas as pessoas funcionem bem juntas e de forma isolada, e o indivíduo com tendências simbióticas precisa entender seu padrão de dependência afetiva, suas disfuncionalidades na relação amorosa, e procurar tratamento especializado. Caso contrário sua saúde mental, e mesmo física, dependerá sempre de outra pessoa. Para fugir disso é preciso levar em conta que as pessoas são diferentes (e prestar atenção nas diferenças), deixar que o outro possa crescer com suas diferenças na relação, perceber e explicitar as próprias carências e expectativas em relação ao outro, sem cobrar. 🌻

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@psilanacalixto


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