Sobre ser alguém na vida


Nós estamos na era do: estude, trabalhe e enriqueça muito para ser considerado “alguém na vida”, como se já não fossemos alguém desde que nascemos... ou antes mesmo disso!


Já se é alguém desde quando uma pessoa é idealizada antes da sua concepção, já se é alguém quando os seus cuidadores escolhem um nome... Lacan certa vez disse “prestem atenção no nome de seus pacientes, nunca é indiferente...”


O autor traz esse questionamento na intenção de explicar, através da ótica da psicanálise, a importância do nome próprio e o que isso carrega consigo. Ser alguém é ter um nome? Não somente isso, mas a grosso modo, basicamente começa daí.


Um Outro ser já idealiza esse “alguém”, já o nomeia, já faz uma marca que antecede a sua existência física. A partir daí já tem um sujeito que, antes de mais nada, é revestido de história e, portanto, de linguagem. Mas bem, isso fica pra uma outra hora.

O que quero causar aqui é a reflexão de que somos alguém muito antes de nos tornamos importante perante a sociedade... Existe uma pressão social para que todos obtenham sucesso e, volto a bater nessa tecla, SUCESSO FINANCEIRO. Uma pessoa não é e nem nunca vai ser o que ela faz e o que ela ganha. Pelo menos não só isso. Antes de chegar nesse ponto, ela já é alguém e toda história que lhe atravessou.


Lembro de uma vez que uma professora da faculdade propôs um trabalho com bebês e nos “obrigou” a nos apresentarmos para eles dizendo o nome e em seguida explicarmos o que íamos fazer ali. Lembro de me sentir desconfortável e pensar “poxa, mas um bebê que nem fala, não vai entender nadinha do que vou falar” – mas eis que dali em diante a mensagem da psicologia e da psicanálise ficou mais evidente pra mim; trata-se como um sujeito toda pessoa, não importa a idade.

Se o lema é ser alguém na vida, acredito que onde há vida, já tem um alguém...


Carol Medeiros

Psicóloga

CRP 04/58564


6 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Relato

2019-2020 © TherAppy | Termos de Uso