Tudo o que se cala o corpo FALA.


“Silêncio! Não é um bom momento para falar sobre isso. ” “Engole sapo. Engole o choro. Fique quieto.”

Tudo o que se cala, o corpo fala. As palavras encontram um meio de sair pelas brechas, poros, olhos, boca, passa pelas pontas dos dedos que insistentemente batem na superfície da mesa. Elas insistem por escorrer pelas pernas, deixando–as inquietas, com um tremor sem fim.

Fala a gastrite, fala a dor de cabeça, fala a fome quando você insiste em comer seus sentimentos para não falar sobre eles, fala a febre e fala a garganta. As rugas também falam, deixando seu rosto petrificado e ao mesmo tempo perplexo diante de diversas situações que você passa no dia e não tem como falar.

Acredito que já tenha assistido um filme de terror, quando a música começa a ficar bem enigmática e do nada a cena muda, aparece algo assustador, você acaba levando um susto e lembra pelo resto do dia da cena que assistiu naquele filme. Quando reprimimos as nossas emoções, sentimentos e palavras, acabamos carregando esses fantasmas para todos os lugares e isso acaba danificando nosso corpo e mente, nos pegando de surpresa em algum outro momento de nossa vida, fazendo reviver todos os sentimentos reprimidos, a todo momento, vendo em todas as coisas e em todos os lugares. Assim o filme de terror acaba por ficar em um eterno REPLAY.

Quando não falamos algo, sofremos sozinhos e não sabemos se o outro sabe o dano que está nos causando. Acabamos assumindo uma posição onde o outro, sabe e está fazendo “por querer”, mas também pode estar fazendo por não perceber ou pelo o que não foi dito.

Devemos encontrar um equilíbrio entre os momentos em que é mais sensato calar-nos e aqueles em que é necessário falar para defender nossas necessidades e proteger o nosso equilíbrio emocional. Emoções reprimidas tornam-se problemas psicossomáticos.

A somatização é caracterizada pela presença de múltiplos sintomas físicos, que causam grande desconforto e interferem negativamente no dia a dia. É um termo de significação muito ampla, referente ao processo pelo qual um indivíduo usa (consciente ou inconscientemente) seu corpo ou sintomas corporais para fins psicológicos, podendo se manifestar com a presença ou ausência de alguma patologia física.

Pense que a dor é uma vírgula, não devemos senti-la eternamente. O falar é necessário para que as pessoas que nos cercam entendam o que sentimos.

Comece a falar. Compreenda a sua dinâmica e estabeleça limites.


"As emoções não expressas nunca morrem. Elas são enterradas vivas e saem de piores formas mais tarde." Freud

.

.

.

@psilanacalixto



Imagem: Rafael Rizzo

3 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo