Você sabe quem você é?


Já reparou que na maioria das vezes as pessoas só procuram pela análise quando estão em sofrimento? Ou quando vamos contar nossas histórias para alguém novo, onde contamos as lutas, as dores, o que não foi superado antes mesmo de compartilharmos o que é bom? Ou quando ouvimos músicas tristes quando estamos tristes por identificação com a letra? Ou um filme... enfim. Na terapia é a mesma coisa: falamos do quanto o trabalho é cansativo, ou o quanto aquele último relacionamento nos machucou, o quão endividados estamos ou até mesmo sobre a situação política do país.

E então em análise o paciente se depara com o questionamento: quem sou eu?

“Quem sou além destas dores? Quem sou além das lutas? Quem sou além deste trabalho que me cansa e que tanto reclamo?”

Muitas vezes este paciente entra em um certo vazio onde, sem saber responder, sem conseguir associar, retorna às queixas. Psicanaliticamente falando, o sujeito é pego em uma satisfação, em certo prazer de estar nestas condições.

O trecho da música citada representa claramente a satisfação paradoxal em manter algo que não lhe faz bem. Seja de forma operacional, física ou emocional. O encontro da análise com esse paradoxo de obtenção de prazer no sofrimento obriga o sujeito a entrar no vazio e buscar a falta de quem se é. O sofrimento passa a ser o nome sujeito, assim como a pulseira de cores diferentes que classificam o paciente em um pronto-socorro. Aquela cor passa a ser o sujeito. A patologia passa a ser o sujeito. Quando, na verdade, este é um ser humano.

E você? Sabe quem você é?

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